Ourinhos pode enfrentar a pior crise de falta d’água da história

Assoreamento do rio Pardo é apenas uma das causas

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por Bernardo Fellipe Seixas

A seca prevista para este ano deverá acentuar ainda mais o problema crônico de abastecimento de água no município. Com a diminuição da vazão do rio Pardo, que abastece a cidade, aliada à inércia da atual administração em realizar obras para acabar com os vazamentos que desperdiçam grande parte da água tratada em velhos encanamentos, quem vai sofrer com isso é a população ourinhense.

Nova captação de água foi inaugurada na ETA em 2016, pela então prefeita Belkis. Foto de dezembro de 2020 mostra indícios do assoreamento do rio Pardo.

Em Ourinhos o prefeito Lucas Pocay (PSD) culpa a população pela falta dágua, dizendo que as pessoas desperdiçam lavando calçadas ou não economizando. Durante a última campanha eleitoral, Pocay fez um estardalhaço pelas redes sociais dizendo que a oposição seria responsável pela falta d’água na cidade, já que alguém teria entrado na Estação de Tratamento (ETA) e desligado uma torneira que fornece água para a cidade. É claro que o fato nunca foi provado.

Para dar  uma satisfação à população que reclamava do problema, o prefeito resolveu construir outra Estação de Tratamento, explorando eleitoralmente o fato durante sua campanha à reeleição, no ano passado.

Documento do Ministério Público atesta que quase 60% da água tratada e produzida pela SAE se perde na rede de distribuição; antes de fechar às torneiras dos consumidores.

Em relatório produzido pelo Ministério Público, na ação civil movida pelos então vereadores Edvaldo Lúcio Abel (Vadinho) e Flávio Luiz Ambrozim, o promotor Marcus Brandini , referindo-se à construção da nova ETA, afirma que “é forçoso e lamentável concluir que os gestores públicos, no que atine ao saneamento básico, estão iludindo a população. Sabedores do que é necessário realizar para erradicar a crise hídrica, tomam a contramão de direção e empregam o já  escasso dinheiro da população em obras que serão inúteis à solução das interrupções”. A obra foi iniciada e está paralisada por decisão do MP.

GESTÃO: Ourinhos está na pior colocação possível sobre desperdício de água, aponta documento do Ministério Público.

O relatório aponta que  “a causa da crise hídrica e que provoca a escassez sistêmica e cotidiana de água está na fase da distribuição, e não da captação, tratamento, produção ou reservação”. A conclusão dos técnicos do MP é de que a SAE disponibiliza mais do que o dobro da demanda de água do município, que é de 651.039 m3 por mês. Ou seja, sobra água tratada, de cujo montante cerca de 60% se perde na rede de distribuição, que é muito antiga.

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O problema da seca e as alterações causadas na agricultura e na saúde das pessoas é tema de notícias pelo mundo todo. Existe também um alerta do risco de apagão provocado pela falta de água, já que a maior parte da energia elétrica que consumimos é produzida por hidrelétricas. A baixa vazão dos rios pode provocar, além da falta de água, também dificuldades no fornecimento de energia.

Segundo o site G1 em 20 de junho, “Atualmente, os reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste estão com apenas 30% da capacidade para enfrentar os próximos meses, que serão de seca nessas regiões. O baixo volume é reflexo do menor nível de chuvas dos últimos 91 anos”. Segundo o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico, ONS, Luiz Carlos Ciocchi, “esses reservatórios devem chegar a novembro com 10,3% da capacidade — isso se o plano de ações desenhado pelo governo e órgãos do setor for bem-sucedido. Será o menor nível mensal em 20 anos”.

Atribuir o problema da seca apenas a fenômenos como o El Niño, que esfria as águas do Oceano Pacífico e reduz as chuvas no centro-sul do país é um raciocínio preguiçoso, segundo o geógrafo Yuri Salmona, doutorando em Ciências Florestais pela Universidade de Brasília (UnB), em matéria publicada pelo BBC News Brasil.

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Nos últimos anos, estudiosos do clima têm associado o desmatamento na Amazônia à diminuição das chuvas em outras regiões do país. A derrubada das árvores faz com que a floresta deixe de bombear para a atmosfera uma imensa quantidade de água, que posteriormente se transformaria em chuva, os chamados “rios voadores”. Para Salmona, os resultados mostram que a substituição da vegetação nativa por lavouras têm impactado o fluxo dos rios.

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Além da falta de água e diminuição da capacidade de geração de energia, também corremos risco de queda na produção agrícola. Já é consenso entre especialistas que “mais desmatamento resulta em menos chuva e menor produção agrícola”.

A busca urgente pelo lucro pelos fazendeiros ávidos por desmatar e ocupar a área com agricultura vai “dar com os burros n’água”. Em termos econômicos não compensa desmatar para produzir, já que a diminuição das chuvas provocada pela derrubada das árvores vai provocar perdas maiores do que o ganho com a produção. A falta de umidade liberada pela vegetação e aumento do albedo (capacidade de refletir a luz solar) explica a relação entre desmatamento e falta de chuvas.

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Em Ourinhos, além dos problemas apontados pelo MP em matéria publicada pelo Jornal Biz em 13 de novembro de 2020, a nova realidade climática aponta necessidade de realização de outras medidas pela Prefeitura de Ourinhos: Precisamos aumentar as áreas verdes na cidade, arborizar com efetividade, colocar em prática iniciativas de reflorestamento, já que praticamente nossa única reserva é a tímida mata protegida no Parque Ecológico da cidade, renovar a mata ciliar em torno dos rios e córregos, despoluir os riachos e aumentar a vazão das minas dágua, limpando e plantando vegetação para proteger as nascentes.

Trecho do documento indica que a Administração não se mostrou minimamente capaz ou interessada em resolver o problema, e por isso foi necessária a intervenção da justiça.

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