Cuspindo no prato que comeu

Foto: G1

Jair Bolsonaro declarou dias atrás que o problema do país é a classe política. Sim, cara leitora, caro leitor. A frase não veio de Lula, que nunca havia exercido um cargo público antes de ser eleito presidente, nem de João Amoedo, nova liderança que surge, também sem histórico na área. Veio do presidente, com muitos anos na vida pública, elegendo filhos e amigos milicianos, todos abarcados na política.

Bolsonaro critica classe política. | Imagem: redes sociais

Assim, nota-se que este governo começou mal. Poder-se ia dizer que já acabou, não fossem as vultosas manifestações de domingo (26/05), o que mostrou que parte da população ainda acredita nele. Mas a classe política, mercado e parte dos eleitores que optaram por Bolsonaro para fugir do PT, já notaram que o presidente e seus ministros são fracos.

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Sérgio Moro é um exemplo. Uma das esperanças de bom senso nos ministérios, vê-se cada vez mais debilitado e isolado. O COAF sairá muito provavelmente de suas mãos e o tal pacote anticrime, ao que parece, não irá vingar. Sua credibilidade está agora reduzida a quase zero após (costumeiras) declarações infelizes de Bolsonaro dizendo que iria cumprir uma promessa feita a ele de leva-lo ao STF. A dúvida que fica na sociedade agora é se o Ministro tem mesmo compromisso com o povo ou tem apenas um plano pessoal e profissional, uma vaidade a ser atendida.

Além de ser deputado por 28 anos, Bolsonaro colocou os três filhos na política.

Hoje, pode-se afirmar que esta determinada esperança reside em Paulo Guedes (Economia), único ainda a despertar alguma admiração, pelo menos no mercado financeiro, apesar de ter declarado que, se a Reforma da Previdência não passar, pula do barco. Bolsonaro? Deu de ombros corretamente e disse que em sua administração só fica quem quer. E aqui, falando de plano pessoal e pouco compromisso com o povo, dá para tirar nota 10. O que quer não é exatamente melhorar a vida do povo. É aprovar uma reforma. É ser citado em livros de história.

Com relação ao grupo formado por Damares, que tem formação Bíblica na faculdade de Jesus da Goiabeira, Ernesto Terraplanagem, Marcelo Álvaro Antônio do Laranjal e Cia, nada de credibilidade transmitem, a não ser a quem é incondicional e irrevogavelmente governista.

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Mal assessorado assim, Bolsonaro por sua vez também não percebeu que não é mais um deputado do baixo clero gritando no fundo do plenário contra a esquerda. A virada foi grande.  De parlamentar inexpressivo á presidência é uma virada brusca, convenhamos. É para alguém mais preparado.

Todavia, quem está na vida pública há tanto tempo deveria ter percebido, e não só isso, deveria conhecer de verdade as consequências de se menosprezar a política e os políticos. Dilma Rousseff é um exemplo perfeito. Ela não gostava e não sabia fazer política. Diferente foi Michel Temer, um animal político que recebia deputados em churrascos em pleno domingo, visando aprovar projetos. Trabalhava o tempo todo.

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É de se admirar a ingenuidade do presidente atual ao deixar escapar uma bofetada em sua própria classe. Joice Hasselmann vira e mexe declara que o governo precisa trabalhar mais e falar menos. Janaína Paschoal parece louca para deixar o partido PSL. O ourinhense Capitão Augusto abriu o bico e deixou a função de vice-líder do governo na Câmara. Um perigo iminente, como um corpo que tem seus órgãos morrendo pouco a pouco. Assim, o paciente não dura muito.

E enquanto isso, o presidente se exibe em redes sociais para quem gosta dele.

Perigo. Muito perigo para o seu governo e consequentemente para o país, que depende demais neste momento de forças para vencer desemprego, desmatamento, falta de segurança e muitos outros problemas.

| Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Jornal Biz. |

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