Para o presidente, o que não é elogio é conspiração

Foto: Reuters

Mal a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, atual Comissária dos Direitos Humanos da ONU, criticou a atuação brasileira na referida área, o presidente Jair Bolsonaro correu em sua rede social para atacá-la. Uma foto dela com Dilma Roussef e Cristina Kirchner para incitar seus seguidores e dizer que Michelle faz parte de seu alvo preferido e imaginário, o ‘exército vermelho’. Chamou defendidos pelos Direitos Humanos de ‘bandidos’ e atacou o pai da chilena, que foi torturado e morto pela ditadura.

Cristina Kirchner surge agora como candidata a vice-presidente de Alberto Fernandez, professor, que venceu as eleições primárias no mês passado. Logo Bolsonaro pediu o microfone para dizer que o Rio Grande do Sul viraria Roraima, com invasão de argentinos, a exemplo dos venezuelanos.

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Bem, se o presidente soubesse minimamente o que fala, saberia que ideologicamente, Kirchner não tem nada a ver com Maduro, por mais que seja esquerda. Também não deveria querer se aproximar de Mauricio Macri, o presidente argentino em exercício, que nada tem a ver com Jair Messias. Este seria como um integrante do PSDB no Brasil. Aliás, Macri quer distância de Bolsonaro, dado seu apreço pela ditadura, coisa que os argentinos têm asco.

Bolsonaro é quase um adolescente falando para seus discípulos em lives e pronunciamentos em rede nacional, evitando entrevistas, assim como o fez com debates à época das eleições, pois não gosta de ser contrariado nem questionado. E quem faz isso, torce contra o Brasil. Tudo o que não é elogio é visto como conspiração.

“A agenda de Jair Messias, sabemos, sempre foi a de costumes”. | Foto: Reprodução Twitter

Para este colunista, este comportamento do presidente atual não é surpresa alguma. O estilo dele é este e o mesmo já disse que não vai mudar.

Talvez por isso a queda em sua popularidade, mostrada pelo Datafolha, instituto seríssimo de pesquisas e estatísticas, que obviamente já foi descredenciado e desqualificado pelo presidente, com cinismo e sarcasmo que lhe são peculiares.

Bolsonaro ganhou de presente o Ministro Paulo Guedes, com a desistência da candidatura do apresentador Luciano Huck. Graças a este fato, o governo está obtendo ganhos na área econômica. No que atinge mais a população, como as áreas de saúde, emprego, educação, áreas fundamentais aos brasileiros, as coisas não andam bem. Isso é evidenciado pela mesma pesquisa Datafolha, pois são áreas muito mal avaliadas. E ele não aguenta ser mal avaliado. Segue imediatamente para um culto na Igreja Universal.

A agenda de Jair Messias, sabemos, sempre foi a de costumes. Isso é o que o projetou nacionalmente, com propostas sobre armas, matar bandidos, entupir presídios, etc.

O saldo disso tudo é nocivo ao país e ao próprio presidente, pois fica claro que Bolsonaro jogo fora seu capital político. Muita gente votou nele não por gostar, mas para se livrar do PT. Antigos aliados já estão pulando fora do barco, como Dória e Witzel.

Bolsonaro precisa aceitar mais as críticas e aproveita-las. Ganha o presidente. Ganha o Brasil.

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