Fantástico desmascara empresas que vendem diplomas e medalhas para políticos

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Dono do animal mostra diploma do jumento Precioso. | Imagem: Rede Globo

Instituto Tiradentes, que oferece prêmios para prefeitos e vereadores, é denunciado pelo Ministério Público

A edição do Fantástico de ontem, 5 de agosto, denunciou  uma rede de empresas que fraudam diplomas e medalhas para prefeitos, vereadores e secretários municipais em todo o país.

O prefeito de Ourinhos, Lucas Pocay (PSD), recebeu por diversas vezes medalhas e diplomas oferecidos pelo Instituto Tiradentes, com sede em Minas Gerais, uma das empresas investigadas. Em 14 de julho de 2013 o então vereador Lucas Pocay anunciava que receberia a Medalha Tiradentes pela “quinta vez consecutiva”, por seu trabalho na Câmara.

Em 2013, notícia do site Ourinhos Notícias informava que Lucas iria receber “honraria” pelo quinto ano consecutivo.

Em 15 de julho deste ano, em sua página no Facebook, Pocay anunciou que vai receber novamente uma láurea oferecida pelo Instituto, desta vez a “Medalha Alferes Tiradentes – colar Ouro – conferida apenas aos políticos que possuam ilibada idoneidade moral e relevantes serviços prestados em prol da comunidade”. Pelo visto o prefeito de Ourinhos é freguês antigo, mas outros políticos da cidade também receberam a honraria: O vereador Alexandre Zoio (PRB) por duas ocasiões (2015 e 2017) e o vereador Caio Lima (PSC) em 2017.

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O Jornal Biz publicou em 22 de junho matéria a respeito de um prêmio que Pocay recebeu na Eslovênia, pela “gestão sustentável”, oferecido por uma empresa especializada nesse tipo de trabalho. A Prefeitura pagou R$ 16.155,00 para a inscrição no evento, mas o prefeito realizou depósito ressarcindo esse valor para os cofres públicos. Nas redes sociais surgiu a denúncia de que as despesas com a viagem podem ter sido custeadas através de diárias de viagem retiradas em nome da secretária do prefeito.

Em novembro de 2017, o prefeito esteve no Peru para receber um prêmio pelo “uso da tecnologia e inovação como instrumentos de inclusão social e economia”, também oferecido por uma empresa que se dedica a esse tipo de atividade.

A matéria do Fantástico (veja na íntegra ao final do texto) denunciou a União Brasileira de Divulgação (UBD) e o Instituto Tiradentes. O Tribunal de contas do Rio Grande do Sul mostrou que o Instituto Tiradentes recebeu R$116 mil em três eventos realizados no Estado, que a empresa chama de “seminários”. Nos eventos os políticos receberam diplomas de “legislador mais atuante” ou “prefeito mais atuante”. Os políticos pagam inscrições e despesas com viagem usando recursos de Prefeituras ou Câmaras Municipais.

Cerimônia de entrega de medalha em Belo Horizonte. | Imagem: Camara Municipal de Bom Despacho

Fernando Vieira da Cunha, dono da UBD, sem saber que estava sendo gravado, disse ao repórter do Fantástico que a seleção é feita através de pesquisa interativa: “uns 10 telefonemas… e aí fazemos um seminariozinho só pra dar uma maquiada”.

Fabiano Dallazen, Procurador Geral de Justiça do Rio Grande do Sul, afirmou na entrevista ao Fantástico: “Esses seminários são uma maneira de vender melhor o evento, para maquiar a falcatrua e o conluio que existe entre as empresas e o agente público”. Segundo o promotor, a escolha dos premiados é feita entre “aqueles prefeitos que se dispõem a custear com verba pública o lucro da empresa que promove esse falso evento e também a promoção pessoal que o prefeito vai fazer de si mesmo”.

“Esses seminários são uma maneira de vender melhor o evento, para maquiar a falcatrua e o conluio que existe entre as empresas e o agente público”, diz Dallazen. | Imagem: captura de tela Rede Globo

Valtuir Pereira Nunes, auditor do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul denuncia a fraude nas pesquisas: “A empresa diz que o prêmio é atribuído em decorrência de uma pesquisa telefônica feita aos eleitores da cidade. Mas a pesquisa não tem comprovação de ter realmente existido nem critério científico para os resultados. Isto revela a fraude”. E conclui: “Esses eventos visam somente a promoção pessoal dos políticos e o lucro das empresas, e são pagos com dinheiro público. Não existe nenhum benefício para a população”. O Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul vai investigar o Instituto Tiradentes.

No dia 15 de julho, Pocay publicou o resultado de uma enquete em que seu governo teria aprovação de 80% da população. Não é informada a metodologia da enquete, que não possui registro nem base científica.

A matéria do Fantástico mostra a que ponto pode chegar a enganação. Um repórter mandou uma mensagem para um celular da União Brasileira de Divulgação (UBD), e fechou a compra da medalha e do diploma de prefeito “Gestor nota 10, classificado na Pesquisa Nacional de Utilidade Pública entre os 100 melhores do país”. O repórter deu o nome de um jumento (Precioso) como sendo de um prefeito, e pagou o valor de R$1.480,00 referentes à inscrição.

Como resultado, no final da matéria do Fantástico aparece o jumento ostentando a medalha e o diploma com seu nome exibido, comprovando que até jumento é capaz de receber esse tipo de prêmio.

Veja abaixo a reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo.

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