Quando a comida é solução para a crise

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Com 13,5 milhões de desempregados no país e possibilidades escassas de encontrar novo trabalho, famílias ourinhenses arregaçam as mangas e investem em uma atividade que segue resistindo apesar da crise econômica: a culinária. Afinal, alimentar-se é uma necessidade para todos. Se nas ruas e praças de Ourinhos aumentou consideravelmente o número de food trucks ou trailers vendendo principalmente lanches, nas feiras também é possível encontrar pratos mais sofisticados como yakisoba ou caldos de vários tipos.

Mas tem quem prefira trabalhar em casa, aproveitando ou adaptando a estrutura da própria cozinha. Muitas vezes a iniciativa acaba envolvendo toda a família, já que cozinhar é atividade trabalhosa e são sempre bem vindos ajudantes para lavar a louça, organizar apetrechos, conferir o estoque ou ajudar nas entregas.

Jaqueline e Cleber têm família numerosa e moram na vila São Luiz. Cada um já tinha dois filhos de casamentos anteriores, e juntos tiveram José, que tem 3 anos. Resolveram entrar no ramo da comida depois que Jaqueline perdeu as aulas em escolas do município e do Estado. Ela é pedagoga, com especialização em educação especial e administração escolar. Cleber é pintor de residências, mas com a crise no setor de construção civil viu suas chances diminuindo dia a dia. Tinha trabalho em um mês, e no outro não. Com família grande, as despesas não podem esperar, comentou. Ele já tinha alguma experiência na área, produzindo embutidos, como salames e linguiças.

“Com família grande, as despesas não podem esperar”, diz Cléber.

A ideia de trabalhar com massas frescas veio depois de muita conversa, e do desejo de viver de uma maneira mais saudável, utilizando esse conceito também no trabalho: “Fazemos nhoque, macarrão e canelones, sempre com massa fresca fabricada por nós mesmos”, explica Jaqueline.

“A receita do nhoque é da família do Cléber”.

Segundo ela, na hora de “botar a mão na massa” a história pessoal pesa bastante: “A receita do nhoque é da família do Cleber. Não é de batata ou mandioca. É uma massa mais leve, feita com leite, farinha e condimentos. Vendemos o molho separado, é tipicamente italiano. Vai cebola, cebolinha, alho, manjericão e tomate. É completamente natural, não tem nada de química”.

“Não faço muito estoque, só alimentos não perecíveis. Os demais prefiro comprar frescos”, diz Giseli.

História parecida é a da Giseli Novelli, que trocou a psicologia pela culinária.  “Eu também já tive experiência com comércio, mas acho muito sofrido. A gente perde o sono com as contas pra pagar e as vendas são incertas”, conta. Como o casal da vila São Luiz, ela e o marido Márcio trabalham juntos e a comida é feita na própria casa, no Jardim Santa Felicidade. Quando o marido perdeu o emprego, o casal resolveu investir em uma atividade na qual já tinham alguma experiência:

Trabalhamos com encomendas. Faço assados, peixes, tortas, massas e doces. Faço um escondidinho com carne seca suína que é maravilhoso. É comum a pessoa ligar e pedir um kit para o almoço de domingo. É só escolher no cardápio o que a família prefere”.

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Giseli também costuma ser convidada para cozinhar nas casas, e para isso as pessoas compram os ingredientes para o preparo, e depois congelam as porções que serão consumidas durante alguns dias. De olho em um segmento que cresceu muito nos últimos tempos, Giseli prepara refeições especiais para pessoas diabéticas ou que têm intolerância à lactose ou glúten. Assim como acontece em qualquer área, trabalhar com comida exige muito planejamento. Aproveitar as promoções dos supermercados é a dica de Giseli para as compras: “Não faço muito estoque, só alimentos não perecíveis. Os demais prefiro comprar frescos”.

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A família de Jaqueline e Cleber, descendentes de italianos, “entra na dança” quando as encomendas aumentam. “Só dispensamos os dois menores, que dão mais trabalho do que ajudam, os outros são bem vindos”, conta Cleber, que é o principal responsável pelas vendas externas. Além de visitar clientes em postos de saúde e lojas comerciais no bairro, ele também leva as massas para vender nas feiras aos sábados e domingos pela manhã. “Muitos clientes que compravam os embutidos, hoje compram também as massas”, conta.

Nhoque Picolotto & Pompeu

Como sabem que a propaganda é fundamental para o sucesso dos negócios, os dois casais utilizam as redes sociais para divulgar seus produtos, e costumam fazer contato com os clientes depois da venda, para saber se a comida agradou.

Nhoque, o prato preferido de Cléber. “EU não enjôo”.

“Picolotto & Pompeu” é o sonoro nome da empresa que fabrica massas caseiras, uma homenagem aos sobrenomes italianos de Jaqueline e Cleber. Se dependesse de Jaqueline, todos os dias ela comeria talharim com almôndegas: “É meu prato preferido”. Para Cleber, não pode faltar nhoque: “Eu não enjoo!”

Bolo de chocolate com morango, uma das especialidades de Giseli.

O resultado tem compensado a dedicação e o esforço. Gisele conta que ligava toda semana para os fregueses em busca de encomendas: “Agora a divulgação é pelas redes sociais, além de um panfleto com o cardápio”. A sobremesa também tem seu carro chefe: o pudim de leite ninho. “As pessoas encomendam muito pudim e bolos”, diz Gisele.

“Queria ter uma cozinha gourmet”.

Giseli sonha em ampliar a cozinha: “Queria ter uma cozinha gourmet. Como a minha é pequena, preciso ter agilidade para lavar e enxugar a louça o tempo todo, pra ter o espaço de trabalho preservado”. Apesar das dificuldades com os filhos pequenos, que obrigam o casal Jaqueline e Cleber a acordar muito cedo para adiantar o trabalho antes que as crianças levantem, eles estão otimistas. Sonhamos em ver o negócio crescer, contam.

A equipe do Jornal Biz provou e aprovou refeições preparadas pelos dois casais. Quem quiser encomendar massas, é só ligar ou mandar mensagem para a Jaqueline: (14)99807-7688 ou 99885-9453. Para encomendar refeições ou sobremesas ligue para a Giseli: (14)99182-0229 ou 3026-5712 (aceita cartão de crédito ou débito).

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