Ourinhense tenta o sonho do futebol em time do México

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Foto: arquivo pessoal Pedro

O menino sempre foi apaixonado por futebol. Antes de ir para o campinho, tinha o hábito de assistir algum vídeo onde Ronaldinho ou Neymar estivessem jogando. Era a senha que estimulava o futuro atleta a perseguir a vitória, acalentando o sonho de um dia ser um jogador profissional.

Pedro Henrique Pires Lourenço passou a infância no Jardim Santa Fé, em Ourinhos. Estudou em escolas públicas da cidade. Foi aluno da escola Sesi, e nesse período treinou com o professor Ronnie Negrão. Também foi aluno de Márcio Puruca, do time Nova Geração, além dos treinadores Nilton Batista e Carlinhos Losano. “Eles foram essenciais para a minha formação”, confessa, agradecido.

Chuteirinha de Ouro: Nilton (laranja) foi um dos professores de Pedro

Quando terminou o segundo grau, percebeu que para realizar o sonho da infância seria mais viável ir para o exterior. “Mandei email para uns 200 times”, conta, rindo, dizendo que um empresário respondeu pedindo que ele mandasse um vídeo. Logo depois veio o convite para fazer um teste em um time no Canadá.

“Eu tinha 19 anos. Comecei a vender o que tinha para juntar dinheiro para a viagem. Minha família tinha receio de que eu pudesse estar sendo enganado por algum empresário, de que o convite pudesse ser um golpe. Felizmente não foi”.

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Depois de dois anos fora do país, Pedro se lembra das dificuldades que passou nos primeiros tempos no Canadá: “Lá é frio demais, e eu não sabia falar inglês, passei apertado…. O futebol deles é mais de força e correria, e os times são formados na maioria por estrangeiros. Eu era contratado pelo York Region Shooters. O bom é que lá é possível encontrar todo tipo de comida que tem no Brasil, e bem mais barato”.

Pedro recebe a camisa 11 em apresentação no York Region Shooters, no Canadá

Difícil também foi passar pelo problema de saúde causado por uma lesão no joelho. No primeiro ano vivendo fora do Brasil, Pedro precisou se submeter a uma cirurgia e ficar afastado do futebol por vários meses. “Voltei para Ourinhos o ano passado, enquanto me recuperava. Antes de voltar para o Canadá, treinei durante 40 dias com o professor Rondinelli, no Campo Miguel Cury, na vila Margarida. Ele me apoiou em um momento difícil.”

Mas a vida continuava a surpreender, e, logo depois que voltou a jogar no time canadense, Pedro recebeu outro convite. “Foi através de um amigo paraguaio que conhecia os empresários mexicanos e recebi um convite para jogar lá. Achei bom porque no México o futebol é mais popular do que no Canadá”.

Distribuindo autógrafos em dia de divulgação da agência de futebol, no México.

E assim, em pouco tempo, ele precisou se adaptar a outro país e cultura diferentes. “Estou há dois meses no México, mas percebo que cansa mais por causa da altitude. Mas o difícil mesmo é me acostumar com a comida. Eles comem “taco” a toda hora do dia, no café da manhã, almoço ou jantar. E enchem de pimenta!”(Taco é um prato típico mexicano, com uma massa preparada com farinha de milho e recheio de carne desfiada)

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Hoje Pedro Pires é contratado do Desportivo do México, mas também tem vínculo com os Leones Negros. Os treinos são puxados, de terça a sexta, e jogos acontecem duas vezes por semana. Em algumas manhãs os jogadores também participam de apresentações em escolas, para divulgar a agência à qual estão vinculados, que mantém uma Escola de Profissionalização no futebol e intercâmbio para equipes do Brasil, Paraguai, México e Estados Unidos.

“Sinto saudades da família, dos amigos e da comida brasileira. Infelizmente a imagem do Brasil no exterior não é boa. Sempre comentam sobre criminalidade e corrupção. Mas os gringos também elogiam o nosso samba e a beleza das mulheres”, diz.

Descanso após treino do Desportivo do Mexico

Enquanto treina duro, o menino ourinhense, criado no Jardim Santa Fé, sonha em poder jogar em um time grande no Brasil. Quem sabe até participar da Seleção Brasileira?

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