Estação centenária resiste ao tempo

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Apesar de não possuir estrutura turística, vale a pena visitar a antiga estação ferroviária de Sodrélia, inaugurada em 1908, que fica na estrada que sai de Santa Cruz do Rio Pardo em direção a Bernardino de Campos.

A estação no ano de 1923. Foto: Guilerme Gaensly – Acervo de Eduardo Gerodetti

Um povoado que recebe o nome de “distrito”, como é o caso de Sodrélia, fatalmente estará condenado a ficar em segundo plano, e foi o que aconteceu ali, onde a população teima em diminuir a cada ano.

A gigantesca seringueira foi plantada no final da década de 1960.

Uma imponente seringueira foi plantada há décadas no lugar onde ficavam os trilhos da estrada de ferro. Ela cresceu tanto que “abraçou” o prédio da estação e faz sombra em todo o imóvel, em qualquer época do ano. A falta de luz cria cores diferentes na fachada da antiga estação.

O verde do musgo também tem nuances azuladas que fazem a beleza do lugar. O prédio não estava isolado, havia um conjunto de imóveis como os construídos em outras cidades, com casas que abrigavam o chefe da estação e outros funcionários. Hoje apenas o prédio da antiga estação desafia o tempo, apesar da precariedade das instalações.

DICA: reserve uma manhã para fazer o passeio e leve água. No final da matéria há um mapa explicando como chegar.

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Ourinhos e municípios vizinhos trazem na memória a determinante presença da ferrovia e da cultura do café. Em algumas cidades ainda restam ruínas das antigas fazendas cafeeiras e imóveis que pertenceram à estrada de ferro. Em Piraju e Santa Cruz os prédios onde funcionaram as estações foram restaurados, e nas paranaenses Jacarezinho e Marques dos Reis aconteceu a mesma coisa.

Uma pena que a pequena estação de Sodrélia não tenha recebido a mesma atenção, já que o projeto arquitetônico leva a assinatura de Ramos de Azevedo. A estação foi inaugurada em 1908, no mesmo ano em que começaram a funcionar as de Ourinhos e Santa Cruz do Rio Pardo.

Família mora no local há 40 anos.

As estações de Sodrélia e Santa Cruz situavam-se em um ramal ferroviário, que vinha de Bernardino de Campos. No início a estação recebeu o nome de Francisco Sodré, que foi prefeito em Santa Cruz em 1902, e o principal responsável pela construção dos ramais ferroviários.

Fazenda centenária abriga o Museu Mandaguahy, que está desativado.
Um dos conjuntos de casas da Fazenda Mandaguahy.

Naquela região existiam várias fazendas produtoras de café, o que justificava a presença da ferrovia. Havia muita gente morando por ali, e mercadorias a serem embarcadas. A Fazenda Mandaguahy é um desses casos, e chegou a ter um milhão e duzentos mil pés de café.

Mas Sodrélia não vive só de recordações. A equipe do Jornal Biz conheceu a jovem Maria Eugênia, formada em gastronomia pelo Senac-SP, e que tem um pequeno negócio no distrito: “Parece que seremos rebaixados à categoria de “vila”, já que a população só diminui. Hoje devemos ter perto de 200 pessoas morando aqui”.

Foto: Dolcissimo Sabore

Nem o passado progressista, nem tampouco a decadência atual parecem desanimar Maria Eugênia, que prepara com capricho doces caseiros além de bombons para festas e casamentos e entrega em toda a região. A empresária uniu o conhecimento e tradição das doceiras do povoado com os adquiridos em sua formação. Surpreende o doce de limão-cidra, por exemplo. “Não é tempo de cidra, usamos uma fruta que é da família e tem sabor assemelhado”.

Depois de conhecer a estação de Sodrélia, visite o “Dolcíssimo Sabore”.  É só perguntar para alguém onde fica a casa cor de rosa onde se vende doces.

Clique aqui e veja como chegar à Estação

Imagem: Google

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