Curso ensina pessoas da terceira idade a utilizar as novas tecnologias

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Quando o assunto é tecnologia, todos dizem que as crianças já nascem sabendo. Embora elas tenham facilidade para lidar com computadores e smartphones, a vontade de aprender parece não ter idade. Pelo menos foi isso que descobriu Jonas Alexandre Benevenuto, que coordena o curso ‘Nunca é tarde para aprender’, orientando pessoas a utilizar corretamente esses equipamentos. Jonas é formado em Sistemas de Informação pelas Faculdades Integradas de Ourinhos (FIO) e mora na Usina São Luiz, onde também trabalha como auxiliar financeiro. “Eu sempre pensei em ensinar, e agora pude colocar em prática”, diz Jonas.

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O curso acontece as quartas, quintas e sábados em uma sala do prédio ao lado da Igreja Nossa Senhora de Guadalupe (Seminário): “A paróquia disponibilizou o espaço, e eu entro com o conhecimento. Na quarta é só computador, na quinta e no sábado é smartphone”. Muitas pessoas possuem o equipamento, mas desconhecem os recursos disponíveis. Segundo Jonas, o interesse inicial é pelo básico, como fazer e receber ligações, enviar fotos ou utilizar as redes sociais: “São coisas simples, e na semana passada essa turma aprendeu a configurar o alarme do celular”.

Iracema e Maria já aprenderam bastante sobre uso de smartphones.

“Eu gosto muito das redes sociais, filmo, tiro foto e depois posto. O Facebook ajuda a encontrar conhecidos, e agora a família toda conversa por aqui”, diz Cirlene, uma das animadas alunas do curso. Ela conta que demora muito para dormir e aproveita esse tempo para conversar com os amigos: “É um jeito de não ficar sozinha”.

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O aprendizado acaba contribuindo para reforçar os vínculos de amizade, para melhorar a autoestima, e para isso vale trocar receitas, orações, enviar fotos. “Na semana passada uma delas chegou toda arrumada, queria fazer uma foto para postar no facebook. Elas vão perdendo o medo de utilizar o telefone, e vão ficando mais confiantes”, explica Jonas. As mulheres são maioria no curso. Jonas acredita que os homens têm mais resistência e pouca paciência para aprender.

Jonas explica funções do smartphone para Cirlene.

Muitas delas compram seus aparelhos, mas não encontram alguém para orientá-las. Ali, interagindo com outras alunas que tem as mesmas dificuldades, elas acabam se motivando para aprender: “Em grupo eles ficam mais animados, se ajudam mutuamente, é também um momento de recreação, de conversa”. Jonas revela que viveu momentos gratificantes com o grupo, e se lembra de um episódio que aconteceu durante uma aula:

“Dona Zélia Varalta tem um filho que mora na Itália. Ai coincidiu o fuso horário, ele estava acordado enquanto estávamos na aula, e fizemos uma ligação por vídeo para ele. Eu ensinei como faz isso, foi muito legal”.

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Maria Cassiolato reconhece as dificuldades em lidar com os aparelhos, mas sabe que aprender pode significar um grande avanço: “Para a nossa idade, para a nossa geração é mais difícil, nós não acompanhamos a evolução da tecnologia. Mas tem muitas vantagens em aprender a usar os recursos do celular. A gente precisa aprender, não pode ficar estacionado. E a experiência de vida pesa na hora de reconhecer os limites, para utilizar o equipamento com bom senso, e não exagerar: Acho que as crianças usam demais, ficam vendo os pais o dia todo com o aparelho. Eu não deixo ninguém ir para a mesa com celular. Conversa com quem está longe, não com quem está do lado. Celular é bom, mas tem que saber usar.

Jonas acredita que a experiência de trabalhar com esse tipo de público tem sido importante para o seu próprio desenvolvimento pessoal: Não é fácil interagir, ensinar, e estou me superando”. O curso continua com vagas abertas e os interessados podem se informar através do telefone (14) 99656-3510.

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