As histórias e os rolos de uma feira muito diferente

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Muita gente já ouviu que há sempre um chinelo velho para um pé cansado. Pois esse ditado define perfeitamente a tradicional Feira do Rolo que acontece todos os domingos na Praça Miguel Mofarrej, conhecida como Praça do Caló.

Os carros estacionados nas imediações da praça indicam a intensa movimentação de pessoas que se encontram logo pela manhã à procura dos objetos mais variados. E diversidade é o que não falta na feira que por muitos anos aconteceu na Barra Funda, e hoje ocupa toda a área da praça. Utensílios de cozinha, como panelas, escorredores de macarrão e moedores de carne, dividem espaço com aparelhos eletrônicos, cordas velhas, bonecas, carregadores de celulares e discos de vinil.

Parte dos produtos é exposta em bancas improvisadas, outros são espalhados diretamente no chão, o que não diminui o interesse daqueles que buscam uma peça antiga para uma coleção ou de quem necessita de uma ferramenta, como uma enxada ou uma furadeira usada. O aparente caos esconde na verdade uma organização precisa, onde cada um tem o espaço que necessita para expor seus produtos.

Parada obrigatória para os colecionadores ou admiradores de peças antigas, a banca de Ederval Miliani oferece aparelhos de tevê, sonatas e vários modelos de rádios antigos. Ederval diz que “garimpa” seus produtos com pessoas que trabalham com reciclagem, em guarda-volumes ou diretamente com quem precisa se desfazer de algum objeto. “Além de Ourinhos, tenho clientes também em outras cidades da região”, diz ele. Durante a conversa, um cliente assíduo da feira parou para admirar um de seus rádios.

O empresário Eduardo Luiz Bicudo Ferraro, o Brigadeiro, é colecionador e frequenta a feira há muitos anos: “Venho todos os domingos. Não é fácil encontrar coisas antigas interessantes, mas é possível. Olha esse rádio!”. Para Brigadeiro, a feira é também um local de confraternização, um passeio onde é possível encontrar os amigos: “Mas já comprei relógios de bolso, ferro de passar”.

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Outro frequentador da feira, o músico João Franco, diz que é uma oportunidade de se divertir e bater papo. Bem humorado, ele brinca dizendo que vai até lá em busca de “um parafuso de rosca, sem rosca” ou “uma caixa de fósforos com os palitos queimados”. “Aquela fumaça do churrasquinho fica grudada no cabelo uns quinze dias”, diz ele, enquanto vai cumprimentando os conhecidos que encontra pelo caminho.

Em outra pequena banca, seu José Donizete de Almeida expõe suas canecas feitas com latas de extrato de tomate ou óleo de cozinha. Com pouco acabamento e asas feitas com pedaços de lata, muitas canecas ainda trazem a marca original do produto. Seu José conta que aprendeu com o avô: “Ele fazia as canecas e dava para os netos e tinham que ser do mesmo tamanho, pra um neto não beber mais do que o outro”. Um freguês que acompanha a conversa diz que as canecas lembram o “tempo do sítio”, tempo sem preocupação, segundo ele. “Eu gosto dessa feira! Às vezes eu compro, às vezes eu troco, faço rolo.”

O empresário Téo é outro que passa pela feira quase todos os domingos: “Eu coleciono relógios, venho aqui pra fazer uns rolinhos e aproveito para encontrar os amigos”. Ele diz que encontra na feira relógios de boa procedência e que já chegou a ter cinquenta. Sobre os valores pagos ele fala baixinho para a esposa não ouvir: “Em média custa 2, 3, 4 mil, chego em casa com relógio no braço, pra ela não perceber!

O que tem causado certa apreensão em todos, são os boatos de que a feira seria deslocada para outro espaço. Embora não haja nenhuma comunicação oficial, fala-se em transferi-la para uma área do Parque Olavo Ferreira de Sá, onde é realizada a Fapi. Para os entrevistados, a Feira do Rolo na Praça do Caló já é uma tradição e o local é de fácil acesso. A mudança não é bem aceita e parece haver um consenso de que a transferência para outro espaço prejudicaria a todos. Certo mesmo é que a feira é um lugar de encontro e a diversidade que se nota no público que a frequenta reflete fielmente a variedade de produtos disponíveis. Vale a pena conhecer.

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