A mágica Vânia Bastos

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Foto: Fran Carlo

por Pascoalino S. Azords

Tibério na primeira fila do antigo Cine Pedutti. Os olhos fixos na direção da tela onde não passa filme nenhum. Nessa noite de primavera os olhos que o mineiro Tibério trouxe de Januária não são para Sofia Loren, Julie Christie ou a Jane do Tarzan. Os olhos e o aparelhinho que tenta corrigir sua surdez hoje estão direcionados para a imagem e a voz de sua filha, Vânia Bastos.

Para além da primeira fila, centenas de outras pessoas miram em Vânia, tiram fotos, fazem self, postam para o mundo ver como ela está naquele exato instante em que se apresenta no palco do velho cinema que virou teatro. Talvez alguém se lembre de ter visto Tibério levando pela mão a filha para assistir aos Os Três Patetas nas matinés de domingo, comprando para ela as balinhas de café da dona Glorinha, depois da missa ou antes da horade se trocar gibis na porta do cinema – sempre tem um chato metido a historiador para lembrar aquele instante que nenhum lambe-lambe registrou. Se Tibério não a levasse ao cinema desde pequena, talvez hoje o Brasil não a tivesse como uma de suas maiores cantoras. Sim, porque quando Vânia Bastos ainda era criança (você pode não acreditar), os filmes tinham belíssimas trilhas sonoras, ao invés de só estremecer e explodir como hoje. Até bangue bangue tinha música boa!

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Ao invés de noventa e oito toalhas brancas no camarim, Vânia Bastos pediu que a turnê do show “Concerto para Pixinguinha” se encerrasse na sua cidade natal. E ela sabe que todos os olhos ali são para ela, como um dia os dela foram para Rita Pavone, Julie Andrews, Gigliola Cinquetti e até a Wanderléia nos filmes de aventura do Roberto Carlos.

Vânia Bastos é acompanhada pelo quarteto do contrabaixista Marcos Paiva. Há um momento de especial magia quando ela diz que irá cantar uma música que todos conhecem e podem, portanto, cantar junto: “Carinhoso”. Misteriosamente, ninguém abriu a boca! Desconfio até que tenham parado de fotografar com o celular e se esquecido por um instante do whatsapp para ouvir melhor. Respira-se com cuidado para não quebrar o encanto.

Desde a emissão da primeira nota do “Meu coração, não sei porquê…”, a voz de Vânia Bastos soa divinal. Não apenas impressionantemente bela ou afinada, mas sobrenatural. E ela foi assim, sozinha, cantando até o final.

Foto: Fran Carlo | Página de Vânia Bastos no Facebook

Para ouvir a plateia da sua cidade cantar o “Carinhoso”, ela teve que pedir, literalmente, na hora do bis. Então, Vânia Bastos regeu um imenso coral que, se tivesse cantado mais alto talvez pudesse ser ouvido por dona Nenê, sua mãe, lá na casa da Rua Arlindo Luz.

Eu não quero ser indiscreto, mas além da dona Nenê naquele coral ficou faltando também a Gecy Vivan, professora de corte e costura de Vânia na adolescência, que àquela hora estava em casa fazendo o bolo do seu 89° aniversário.

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